Poesias de diversos poetas, e de minha autoria.

5. mai, 2016

"O mais feroz dos animais domésticos
é o relógio de parede:
conheço um que já devorou
três gerações da minha família."

Mário Quintana/Poeta Rio Grandense
5. mai, 2016

"Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…"

Mário Quintana/Poeta Rio Grandense
4. mai, 2016

" Mãe...São três letras apenas
As desse nome bendito
Também o céu tem as estrelas
E nelas cabe o infinito

Para louvar nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus,
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus!
"

Mário Quintana/Poeta Rio Grandense
20. abr, 2016

Ao meu mestre,
dedico esta pequena poesia,
ao meu mestre silvestre
ao meu mestre da alegria

À Deus eu dedico esta poesia,
o criador de tudo,
criou o dia,
criou o mundo!

Ao meu mestre,
todos devem ser gratos,
ele nos conhece,
como nós conhecemos os gatos

Ele criou as flores,
as dores,
os amores,
e os temores

Ao meu mestre, com carinho,
mando um doce beijinho!

Eric Zímerer/"Poeta" Mineiro
19. abr, 2016

" "Era tão claro o dia, mas a treva,
do som baixando,em seu baixar me leva

pelo âmago de tudo, e no mais fundo
decifro o choro pânico do mundo,

que se entrelaça no meu próprio choro,
e compomos a dois um vasto coro.

Oh dor individual, afrodisíaco
selo gravado em plano dionisíaco,

[...]

O amor não nos explica. E nada basta,
nada é da natureza assim tão casta

que não macule ou perca sua essência,
ao contato furioso da sua existência.

Nem existir é mais que um exercício
de pesquisar da vida um vago indício,

a provar a nós mesmos que, vivendo,
estamos pra doer, estamos doendo.

Mas, na dourada praça do Rosário,
foi-se, no som, a sombra. O columbrário

já cinza se concentra, pó de tumbas,
já se permite azul, risco de pombas."

Carlos Drummond de Andrade/Poeta Mineiro